Sanoe Irons
20 December 2013 @ 12:43 pm
Como se estivesse acordado, podia sentir tudo, menos no que minha pele encostava. Minhas pernas se moviam querendo sair e andar, mas queriam ir sem mim. Meus braços fracos jogavam meu tronco para fora da cama e voltavam a ter menos funcionalidade do que o torço.
Balancei as chinelas e elas caíram. Tive que convencer as pernas que eu precisava pega-las. Nada elas fizeram. "Vamos! Só to pedindo isto!" E de volta obtive uma resposta do ranger dos joelhos sem vontade alguma de se esticar.
O que era para ser uma busca as chinelas azuis-marinho de seda, virou passeio ao gramado encima de uma cadeira de rodas. Meu corpo não me levava em a lugar algum mais. Eu simplesmente não entendia. Quando que meu corpo parou de me ajudar a andar?
Vaguei por aí, vaguei com os olhos. Tinha tido um sonho estranho enquanto via minha senhora podar o jardim: Eu andava normalmente pelo Rio, entrava na Colombo e pedia um Moraes à moda-da-casa. Mas aí o chorinho por de trás do balcão foi ficando murcho, assim como todas as outras coisas que estavam a volta, então olhava para minhas pernas e falava: "me levem para onde forem, por favor!" E mesmo com a minha súplica, as pernas foram andando, me deixando para trás, sozinho, observando-as ir.
"Ora, seus abutres," praguejei. "Não é a primeira vez que vão e nem avisam." Estava com raiva e magoado. "Espero que morram de frio, seus inúteis!" Como puderam?! "Ninguém há de querê-las! Não são mais como antes. Não funcionam mais como quando era jovem." Minha voz de pigarro, tremula de frio e deteriorada pelo cigarro, fizeram e eco.
Acordei com um susto e alisei meus joelhos.
"Vocês não vão embora, vão?" Toci. "Vamos morrer juntos, meu velho. E vamos para onde você me levar, certo? Como sempre foi. É bem bonito aqui. Queria que os outros não tivessem ido embora há tanto tempo."
E tocou o chorinho e murchou de novo como todo o resto.



 
 
Sanoe Irons
08 April 2013 @ 02:29 am

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-O que você acha de Mathew?
-Não gosto.
-Porque não?
-Metade dos meninos do bairro se chamam Mathew.
-E a outra metade?
-John.
Escondi o sorriso, ouvi John rindo e a página do livro de nomes sendo virada. Continuei, calmamente, a mexer os ovos na panela, em frente ao fogão. Me adaptar com a barriga e os afazeres de casa ainda era um desafio em plena 22ª semana de gestação.
-O que você acha de Ted?
-Ted é nome de urso, querido.
-E Summer?
-Eu não vou colocar o nome do nosso filho de uma estação do ano, John. –disse colocando dois pratos de ovos mexidos na mesa de dois lugares.
-Certo. Já sei! -ele fez suspense enquanto eu colocava o café na mesa. –Joseph!
Olhei para John de esguelha e repuxei os lábios em uma careta.
-E se for menina? –perguntei calmamente enquanto me sentava a sua frente.
-Se for menina pode ser Anita.
-Anita é nome de revolucionária. –disse olhando-o de esguelha, tentando esconder a surpresa.
-É o mínimo que posso esperar de uma filha sua.
Sorri antes de espetar garfo nos ovos.

Aquele era o John: animado porque teria um pedaço seu sendo gerado pela a mulher que o amava tanto, que aposentou o batom vermelho que usava todos os dias desde o dia que o conhecera.
Mesmo com a guerra e toda a expectativa nula numa Inglaterra destruída, debaixo de escombros, sirenes e terra, John mantinha a farda impecavelmente limpa e engomada. Cabelo no lugar, sapato lustrado e as estrelas de herói no peito.

John se levantou e lavou os pratos como sempre fazia. Estava sorridente, perguntando sobre os nomes: Paul, William, Sophie, Alice, Julian, Catharine, Philipe, Donald, Coraline. Ele gostava de Atena. Dizia que era um nome grego e que era o nome da Deusa da sabedoria. Apolo era o deus da luz, ou algo assim.
-Querido, nosso filho não vai ter nome de deuses que não acreditamos. –disse.
-É só uma ideia. –ele sorria. –Gosto de Victoria e, que os homens não me ouçam, de Alexandra também.
-São dois nomes muito bonitos. –concordei. –Se for menino, pensei no nome do seu pai, George.
John se virou e sorriu.
-Pensei que não íamos usar nome de parentes próximos.
-Não íamos, mas seu pai lutou bravamente na guerra, acho que se fosse menino, ele iria gostar de ter nome de herói.
John sorriu emocionado.
-Eu devo ter feito algo de muito bom para terem me enviado você.
Sorri para ele.
Eram quase nove horas da manhã, quando o carro passou para buscá-lo. A sala há muito em desuso possuía uma camada fina de poeira que lembrava camarotes aristrocráticos de uma época antiga. Da sala, abrimos a porta da frente, deixando nossas pegadas no piso de madeira.
John me deu um beijo, colocou o cap de baixo do braço, e foi para o carro verde-musgo estacionado em frente a nossa casa, indo de encontro ao inimigo mais cedo ou mais tarde.
Fechei a porta só quando o carro virou a esquina e tentei visualizar meu marido voltando em dois meses para casa apenas com um corte de papel no dedo esquerdo. “Ele é um estrategista agora, não vai para o campo.” Pensei comigo mesma.
Quem eu queria enganar? Ele não ia querer que ninguém morresse em seu lugar. Mesmo com a promoção, não deixaria as trincheiras e nem seus amigos, como a rainha queria. Ahh não mesmo.
Se ele fosse egoísta e covarde, não seria o meu John, mas estaria vivo e estaria em casa. Como eu queria que ele fosse egoísta e covarde às vezes.

Breve aconteceria o baile de inverno que ninguém mais ia desde o início da guerra. Tempos difíceis aqueles. Racionamento de energia, comida e até de esperança, sonhos e futuros também.
O baile era a mais harmoniosa festa do condado e o mais esperado de Londres. Mas agora as pinturas se enfeiaram com a poeira e o papel de parede estava rasgado, assim como as cortinas. As janelas estavam quebradas, com cacos espatifados no salão e alguém tinha colocado madeiras nas portas altas. Em pensar que uma mulher russa estaria falando o mesmo do palácio imperial.
A vida de quem não ia para a guerra era o subsolo e um rádio. Sempre o rádio, o torturado rádio. Deixava-se comida, mas não o rádio. O radialista falando dos mísseis e os nomes dos feridos e seus substitutos.

Mais uma sirene irritando os meus ouvidos. Peguei o castiçal, o rádio e a pilha de livros em cima da mesa e desci as escadas, fechando o alçapão as minhas costas. Acendi a luz e olhei para o teto. Esperava o barulho, mas só tinha o meu silêncio. Abri o livro que estava lendo de um dramaturgo nacional e continuei a devorar si-la-ba por silaba com uma mão na barriga que lembrava uma melancia.

“Ser ou não ser, eis a questão.
O que é mais nobre? Sofrer na alma
As flechas da fortuna ultrajante
Ou pegar em armas contra um mar de dores
Pondo-lhes um fim? Morrer, dormir
Nada mais; e por via do sono pôr ponto final
Aos males do coração e aos mil acidentes naturais
De que a carne é herdeira, num desenlace
Devotadamente desejado. Morrer! Dormir; dormir
Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação;
Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos
Uma vez fora da confusão da vida?”

Bastante encorajador para esses dias de guerra. Eu as vezes me irritava com o meu próprio sarcasmo.
Reconhecia a beleza de cada linha e adorava esse Shakespeare que me fazia companhia à noite depois da sirene. John teria ciúmes se soubesse que me deito com ele e só o deixo quando a manhã chega e uma música da moda toca no rádio.

“Esse país desconhecido de cujos campos
Nenhum viajante retornou, e que nos baralha a vontade
E nos faz suportar os males que temos
Em vez de voar para o que não conhecemos?
Assim a consciência nos faz a todos cobardes
E assim as cores nascentes da resolução
Empalidecem perante o frouxo clarão do pensamento
E os planos de grande alcance e atualidade
Por via desta perspectiva mudam de sentido
E saem do reino da ação”

Ahh… um monólogo bárbaro, com certeza. Falante de dor e martírio. Me pergunto por que não lera antes. O que mais poderia falar esse Hamlet? O que mais podia sentir?
Virei a página. Decidira contar para John quando voltasse sobre esse Hamlet e sua esquizofrenia acreditada; também sobre essa sua vingança e esse seu desespero engasgado.
Poderia ser esse o mal desses generais e chefes do que eles dizem ser um Estado: Vingança.
Antes que pudesse começar as primeiras frases, o rádio começou a informar os nomes dos mortos.
Cory Brigt
Louis Bund
Kurt Campbell
Daniel Castillo
Harry Cole

Era uma lista quase sem fim toda noite.
E assim ia.

Denis Kyle
Orlando Lovegood
Dean Moody
Alasteir Montgomery
Andrew Thomas
Jason Williams

Mais uma noite.
Mais uma manhã.
Mais uma tarde.
Outra noite.

Mais uma noite.
Mais uma manhã.
Mais uma tarde.
Outra noite.

Além de Shakespeare, Jane Austen e Ellis Bell viera me visitar. Eles traziam uns amigos e todos me faziam companhia todas as noites durante miseráveis e solitários dois meses que John ficaria em campo, como eles disseram.
O relógio de bolso do pai do John tinha o barulho do tempo passando de forma arrastada. No canto do abrigo, imaginava o pedaço meu e de John dormindo satisfeito no berço feito com as madeiras de uma igreja bombardeada que o Sr. Jones roubara e me presenteara
Ah… Tão bondosos o Sr. e a Sra. Jones. Sempre traziam comida e se ofereciam para ajudar desde que minha barriga começara a aparecer. Eles eram um casal de velhinhos sem filhos que moravam na casa ao lado. Eles me ensinavam a recitar estrofes de poemas mais antigos e liam comigo todos os dias na hora do chá. Iam ao médico comigo e me emprestavam livros quando os meus voltavam para a prateleira. Tão bondosos…

Outra noite.
Outra manhã.
Outra tarde.
Mais uma noite.

Os nomes.

Mais uma noite.
Mais uma manhã.
Mais uma tarde.
Outra noite.
Outra manhã.

Estava na cozinha, distraída olhando para o sol refletido na poça dos paralelepípedos da rua esburacada. Senti uma pontada, depois mais uma na barriga. Tentei correr, mas não consegui. Então gritei. Gritei o mais forte que meus pulmões e cordas vocais conseguiram. Gritei até alguém chegar, então ficou tudo escuro até eu acordar no hospital.
-Ela acordou!
-Força, Sra. Davis! -fiz força.
-Mais força! -fiz mais força.
-Mais! -mais.
-Mais! -mais.
Ouvi um choro e tudo ficou escuro de novo.

Acordei. Olhei em volta e eu estava sozinha em um quarto todo branco. Olhei para baixo e meu barrigão não estava lá. Estava com alguma dor, mas nada que me fizesse sair de orbita. Comecei a me preocupar enquanto olhava para os lençóis encardidos.
-Enfermeira!
Uma mulher loira entrou no quarto ladeada por Sr. e Sra. Jones, na qual carregava uma trouxinha nos braços.
-É menino, minha querida. –disse um Sr. Jones sorridente de olhos azuis-avermelhados brilhantes por causa das lágrimas.
Sra. Jones trazia o menino com um sorriso doce e lágrimas emocionadas. Abracei a trouxinha e o olhei.
-Aposto que tem os olhos do pai. –disse em um suspiro apertado de saudade.
E tinha.

Como poderia saber que naquele 11 de dezembro, com o nascimento de um menino saudável e de bochechas rosadas, John, um homem de olhos castanhos e cabelos arruivados, sofrera um covarde atentado?
Ali mesmo no hospital, dois oficiais entraram no quarto simples e me entregaram a carta de óbito de John Henry Davis. Seu carro fora atingido por uma bomba pouco depois que parou para socorrer uma criança.
Pensara eu que os bons seriam mantidos seguros. Imaginara eu que não haveria injustiça enquanto não a praticasse. John fora bom demais e em troca, ele não voltaria para casa.
Descobri, quase uma semana depois, que John voltaria para casa sim, mas em uma urna preta e simples, carregada por oficiais de luvas brancas e cap verde. No cemitério, enquanto o padre rezava, eu me lembrava do meu John. Eu queria lembrar dos braços quentes, dos olhos castanhos, do bom humor matinal e do sorriso largo que ele tinha.
Envolvi o meu pedaço de John com um manto azul e esperei as pessoas colocarem as flores no túmulo do meu marido.

Lembrei de Hamlet.
“Agora estou sozinho.
Oh, que escravo miserável e campesino sou! Não é monstruoso que este ator aqui, apenas em uma ficção, em um sonho de paixão, possa forçar sua alma tão de acordo com sua imaginação que só de trabalhá-la toda sua expressão feneceu, lágrimas em seus olhos, distração em seu aspecto, uma voz embargada, e todo seu funcionamento provendo formas a sua imaginação?”

Sim, estava sozinha. Sozinha com o meu outro John, pedaço do meu John.
Os oficiais dispararam os tiros em honra ao meu marido, me entregaram a bandeira que cobria seu caixão e então eu me vi parada olhando todas aquelas pessoas se despedindo do meu John. “Porque é que você não ficou na droga do escritório cortando seu dedo esquerdo com o papel, John?” era tudo o que eu pensava.

A luz percorria as coisas, as sombras aumentavam e assim foi. Ainda estávamos em guerra, ainda íamos para os porões, ainda escutávamos o rádio.
Quando o rádio finalmente anunciou o cessar fogo, John tinha feito três anos. Três anos de que tinha perdido o meu John, mas que tinha ganho o meu outro John.
Três anos tentando não esquecer. Três anos tentando viver. E tudo o que eu tinha era o meu filho, o castiçal, o rádio e os livros, sem mais o porão nem a sirene.
Era um novo começo para a Inglaterra. Era uma nova forma de se viver finalmente.
 

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Esse conto é dedicado a Luiza Lopes que faz aniversário hoje. Eu sei o quanto você queria que eu terminasse esse conto.
Feliz aniversário, Ellie-Noëlle-River.

 
 
Sanoe Irons
24 September 2012 @ 05:33 pm
Como seria os seus relatos no final do dia de você mesmo? 

Arrotar café depois de uma garrafa e meia é o máximo que o meu corpo podia me dizer: “se você colocar para dentro outra quantidade angustiante desse líquido amargo e doce, eu não vou ser gentil outra vez.”
Certo, vou parar. Depois desse último eu paro. Prometo.
Trocara o álcool pelo café, só porque precisava ficar acordado, não porque achava melhor.

Prometi a mim mesmo que não procuraria você de novo. Suas complicações e seus “depois eu te procuro, estou ocupada agora” …
A cada maldito livro que eu leio tem, pelo menos, um capítulo que me lembra você. Você sabe que ler é mais que um hábito para mim, não consigo parar, é quase a mesma proporção de café ultimamente.

Não pretendo te ligar, mesmo que você tenha falado que eu posso fazê-lo quando precisar ou der vontade. Principalmente porque toda vez que te liguei porque tive vontade ou precisei, você me mandou ligar depois.

Outro dia mesmo uma garota me ligou: “Passa aqui em casa! Comprei sua bebida preferida.” Estava tão entediado e com um acervo de etílicos tão baixa que eu fui. Ela não se parece com você nem um pouco. Ela odeia as jujubas amarelas.

Tentei várias estratégias para parar de pensar em você. De ‘War’ a jogo de xadrez. Inutilmente tentei. Tentei fazer contas e até aprender a cozinhar e falar mandarim; adivinhe. Tentei escrever também, mas todas as vezes que tinha boas ideias e ótimos diálogos entre eu e meus outros “eus”, estava em algum meio de transporte, ou no chuveiro, ou somente quando não podia escrevê-las.

Hoje de manhã voltei à livraria, aquela do centro, ao lado da loja de CD’s. Procurei um livro que você pudesse não gostar; daqueles amarelados, de palavras complicadas e literatura arcaica. Era muito bom. Comprei mais dois do mesmo autor e me senti um pouco melhor por gostar de alguma coisa que você detesta.

Estava no consultório e entrou uma daquelas pacientes que eu atendo desde que comecei como acadêmico e ela me perguntou de você. Disse que estava bem, então ela me deu um ursinho laranja para te entregar. Passei na hora do seu plantão e o deixei com a Aninha, achei que ela ficaria mais feliz do que você.

Você costumava dizer que eu deveria ler roteiros, de tanto que gosto de filmes. Parei de assistir a grande maioria daqueles que eu sabia que você ficaria animada para ver também e agora assisto aqueles que você se irritaria, acompanhado de comida chinesa, porque eu sei que você tem nojo.

O que eu posso te falar é que depois de todos esses quase oito meses que você me mandou para o inferno, eu ainda estou o mesmo: com as mesmas preferências, ironias, sarcasmos, risada em pigarro e relógio no pulso. Não gosto de falar no telefone ainda, mas tenho uma amiga que rouba meu celular quase todos os dias e escreve recadinhos no bloco de notas me lembrando que eu vou esquecer. Ainda cultuo o Gin e o Whisky: leais amigos; mas minha barba cresceu e tem mais livros na sala que no meu quarto agora.
Sou um ótimo jogador de xadrez, o melhor da pracinha que o Seu Osvaldo frequenta; e quando falo que vou jogar com os amiguinhos da minha irmã de 12 anos algum jogo de estratégia, eles desistem na mesma hora; nem poker é tão divertido.
Nunca mais toquei no violão, mas tenho que afinar o piano, pelo menos, uma vez por semana. Aprendi a fumar, descer as escadas degrau por degrau e apreciar aquelas bandas que te davam dor de cabeça. Agora gasto muito dinheiro com gasolina e comida de entrega rápida e sou fluente em alemão: Mandarim era chato. Também desenvolvi outra úlcera por causa do café, mas não devo parar com ele.
Outro dia me peguei olhando para a janela que me mantinha seco enquanto achavam engraçado deixar Posseidom se divertir um pouquinho na antes terra seca; pensando em você. Achei graça por não lembrar de nós dois, mas só de você, como se um dia não tivesse sido “eu e você”.
Se eu dissesse que não gosto mais de você estaria mentindo, mas aprendi a fazer isso também.

 
 
Sanoe Irons
06 July 2012 @ 06:25 pm
Chuva sem parar na areia e se ouve alguém reclamar.
Olhos que não sabiam o que focar e ações involuntárias das mãos na parede.
Dói a saudade, parte da experiência perdida no caminho.
Segue sem mim, bebe por mim... -vira o rosto e prende o maxilar - beija por mim.
Evitar uma possível dor. Afogar o medo em livros, tentar estar sóbrio e forte.
Não quero 'se' nem 'mas'. Deixa assim e não vamos mexer na história.



 
 
Current Music: Memphis Tennessee - The Beatles